QUARENTENA- DIA 81- EFEITOS COLATERAIS
Como tenho afirmado em inúmeros textos, vou levando a
quarentena sem muitos danos colaterais, exceto a saudade dos netos, que batem
doídas no velho coração.
Mas vou levando, lendo, cozinhando, jogando mais tênis,
dando minhas escapadas, exagerando um pouco na manguaça, explorando o Netflix,
adaptando-me a nova rotina sem aparentes alterações na minha forma de ser, pois
sou apegado a rotinas, e desde que haja uma, sigo-a a risca.
Todavia, percebo em minha mulher um acréscimo de melancolia,
apesar de não exteriorizar os motivos desse “banzo”, sei perfeitamente as
razões de sua origem.
O efeito da ausência da filha e principalmente dos netos,
tem calado fundo no peito de Regina. Sou testemunha da paciência, carinho, dedicação
e amor desmedido, dispensados a essas duas criaturinhas maravilhosas.
Se a saudade dói em mim, para Ela dói em dobro, pois mulheres
e principalmente mães, são muito mais sensíveis.
Ontem, enquanto assistíamos um pouco de TV antes do lanche
da noite, tentei prestar atenção ao número de vezes que repetidamente via vídeos
de nossos netos, mostrando a evolução e as façanhas do pequenino Otávio. Lelê é
uma mocinha, prestes a completar 7 anos, uma graça.
Foram tantas vezes, que perdi a conta. Nesses momentos
nota-se, que mesmo a distância o amor e um elo inquebrantável. Sorrisos
discretos amenizam saudades latentes.
Até quando, meu Deus!
Na nossa turma do tênis a situação não é tão diferente.
Apesar de normalmente conservarmos sobre assuntos mais mundanos
e fúteis, nota-se em alguns uma preocupação maior, pois essa paralisação das
atividades produtivas cobrará adiante “sua dívida”, que não será pequena.
Adaptações, ajustes, cortes de pessoal, até de alguns companheiros
de longa data, deixarão na boca e no coração o gosto amargo de fel. Esse é o
verdadeiro sentido da expressão, “cortar na carne”.
Sinto-me um privilegiado por não ter que enfrentar esses problemas
e dilemas, pois aposentado, preocupo-me apenas com a família e em coçar o saco.
Essa maldita pandemia deixará em todos nós muitas
cicatrizes.
Aliado as dificuldades privadas, somos ainda obrigados a
conviver e sobreviver numa situação turbulenta, com o país escorregando na
merda dos políticos e administradores.
José Roberto- 05/06/20
segunda uma amiga psicologa, estamos diante do surgimento da "ansiedade de lockdown" ou da "corona-psicose". A quarentena está influenciando o sono, aumentando a ansiedade e piorando a saúde mental. Todos temos de estar atentos a tudo isso...
ResponderExcluirÉ o que está acontecendo com muitos, inclusive com minha mulher quê tem dormido pessimamente
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