PREPARANDO-SE PARA O
PIOR
Semana passada reservei dois dias para a realização dos
múltiplos exames solicitados pelo meu ótimo clínico geral, pois o velho corpo,
embora “rateando” pouco, exige cuidados especiais.
Na longa consulta de quase uma hora, o médico após me
apalpar, martelar e ascultar, considerou muito bom meu estado geral,
considerando a idade avançada. Notou inclusive que havia perdido 200 gramas com
relação ao peso do ano anterior, obra exclusiva das “solitárias” que povoam meu
bucho, pois continuo comendo muito bem, sem fazer qualquer tipo de regime.
Tenho me mantido na faixa dos 83 kg, e minha mulher com uma
inveja danada, vive dizendo: “o esganado come pra caramba e não engorda, só
pode mesmo ser por causa das lombrigas”.
No final da consulta, após as tradicionais recomendações
para dispensar o charuto, aumentar os exercícios físicos ao invés de se limitar
ao tênis, conselhos que obviamente não seguirei, apresentou a longa lista de
exames de sangue(44), urina, fezes, ultrassonografia, tomografia e eco-dopler
bidimensional do coração e outras artérias.
Me deu um frio na espinha e uma fisgada no fiofó, quando
mencionou a palavra “Colonoscopia”.
Consultando seus registros, informou que esse ano estarei
isento desse exame invasivo, ficando o “espionamento” de minhas tripas para
2016.
Como se já não bastasse o martírio mor, a “mãe de todos os
vexames”, o maldito toque retal anual, de cinco em cinco anos, tenho que me
submeter a Colonoscopia, ou seja, permitir que insiram um periscópio em meu
“foba”, para inspecionar minhas entranhas.
Alem de ser um exame altamente desagradável, a preparação
para a Colonoscopia é ainda pior, pois durante três dias anteriores ao evento,
somos submetidos a uma dieta horrível, a base de líquidos, para deixar as
tripas bem limpinhas.
Ao menos um consolo, pois a inserção do periscópio em nosso
“buraco da bala”, é feita com a vítima dormindo, o que nos livra de
presenciarmos essa grande vergonha.
É recomendável levar sempre um acompanhante confiável, para
coibir excessos da equipe sádica que escarafuncha suas partes pudicas.
Já recebi o resultados dos exames de sangue, urina e fezes,
que graças Deus, foram bastante satisfatórios, faltando apenas os de
ressonância e imagem, que suponho estar no mesmo padrão.
Depois de todo esse calvário, de toda essa angústia e
sofrimento, resta ainda o pior, o amaldiçoado exame da próstata.
Só de lembrar do sorriso de satisfação e da cara de sádico
do Dr.Kededo, me aguardando em sua sala de torturas, tenho perdido o sono, que
já não é lá essas coisas.
E ainda dizem que a velhice é “a melhor idade”.
Estou juntando coragem para enfrentar mais esse terrível
desafio.
José Roberto- 10/05/15
Coragem Zé.
ResponderExcluirLembre que tem gente que gosta do toque retal e algo mais.
Próstata
ResponderExcluirGerdo Bezerra de Faria*
Esta quem me contou foi Peroba, médico caicoense filho de José Torres, durante farra na fazenda Fechado.
Zé Torres, com idade um pouco avançada e, como todo matuto, arredio aos médicos.
Um dia foi ao banheiro e não conseguia urinar.
O quadro foi piorando, começou a doer, e, ao invés de procurar um médico, ligou para o filho em São Paulo.
- Peroba, não estou conseguindo urinar e está doendo muito.
- Papai, daqui não posso fazer nada. O senhor tem que procurar um médico por aí, e logo!
- Mas me disseram que em Caicó não tem quem trate isso.
- Pois vá pra Campina Grande. Tem um amigo médico urologista lá, vou ligar pra ele e pedir que ele lhe atenda.
Convencido por Peroba, Zé Torres viajou a Campina Grande e, durante a viagem, o quadro piorou muito: ele chegou já quase aos gritos, ligou para o médico e foi para o hospital indicado.
O médico, assim que viu o quadro, mandou passar uma sonda pra acabar a retenção urinária.
Sonda colocada, urina liberada, alívio imediato da dor e o médico diz:
- "Seu" Zé, Peroba recomendou que eu fizesse uma revisão no senhor, que vai implicar em alguns exames. O senhor vai fazê-los e depois volta aqui pra me mostrar. Ok?
E Zé Torres foi fazer os exames solicitados, colheu material nos laboratórios e em casa, e voltou pro consultório com a bateria de exames para nova consulta.
O médico olhou um por um e começou um interrogatório:
- O senhor fuma?
- Fumo um bocado.
- Pois é bom deixar de fumar e, se não for possível deixar de vez, diminuir o máximo possível. O senhor toma muito café?
- Passo o dia todo tomando café.
- Olhe, o café tem cafeína, que é muito ruim para o organismo, principalmente numa idade avançada como a do senhor. Troque por chá que é muito melhor. O senhor bebe?
- Bebo vez por outra, ou então tomo uma pra abrir o apetite...
- Álcool é outra droga que é um veneno para o senhor. Evite o máximo possível e, se puder, pare de beber de uma vez. A sua alimentação é muito gordurosa?
- Doutor, eu vivo no sítio e lá tudo é temperado com a nata do leite. A carne, quando a gente morde, escorre a graxa no canto da boca. Essa, pra mim, é a comida boa.
- O senhor está se envenenando, a gordura vai entupindo as veias e a pessoa envelhece mais rápido, fora os outros problemas que ela causa. Na sua idade o senhor tem que comer muita verdura, cereais, frutas e folhas verdes. E a vida sexual, ainda é ativa?
- Doutor eu me separei, arranjei uma mulher nova e trepo quase todo dia.
- "Seu" José, o senhor está fazendo muita extravagância. Lembre-se que o senhor não é mais um menino, essas coisas na sua idade devem ser feitas com moderação, uma vez por semana... ou melhor, de 10 em 10 dias. O senhor tem que dar descanso à sua próstata. Entre ali que a auxiliar vai preparar o senhor pra fazer o último exame.
E Zé Torres foi.
O médico se dirigiu à sala algum tempo depois, e o encontrou deitado na maca com as calças abaixadas até o joelho, discutindo com a enfermeira.
E perguntou:
- O que está acontecendo?
A auxiliar explica:
- Ele não está querendo ficar na posição...
O médico pede:
- "Seu" José Torres, o senhor precisa ficar na posição que ela está pedindo...
Zé Torres desceu da maca e, ao mesmo tempo em que subia as calças, foi dizendo:
- Doutor, o senhor num quer que eu fume, num quer que eu beba, num quer que eu tome café, num quer que eu coma nada - nem a minha mulher - e ainda quer enfiar o dedo no meu cu! De jeito nenhum!
E voltou para Caicó sem fazer o toque retal.
*Dentista e escritor. Texto retirado (e adaptado) do livro 50 Anos De Causos, Edição do Autor, NataL-RN, 2004
Boa história. Conheço uma parecida que contarei brevemente.
ResponderExcluirAbcs ao amigo oculto
Zé