sexta-feira, 7 de agosto de 2026

TONICO, MEU PAI

 

ESCREVI ESSE TEXTO ORIGINALMENTE EM 2007, VINTE ANOS APÓS A MORTE DE MEU QUERIDO E MARAVILHOSO PAI. JÁ REPLIQUEI O TEXTO E REPLICO NOVAMENTE POR SER UM DOS QUE MAIS GOSTO, PARA HOMENAGEAR NOVAMENTE MEU VELHO PAI E A TODOS OS DEMAIS, QUE SOUBERAM HONRAR A DIVINA GRAÇA DA PATERNIDADE.

José Roberto- 07/08/26

 

 

TÔNICO, MEU PAI

 

Já se vão mais de vinte anos desde que meu pai se foi.

A cada dia que passa e a medida que envelheço, aumenta a saudade de sua presença simples e marcante.

Meu pai foi um homem bom. Bom no verdadeiro e pleno significado da palavra.

É uma tendência natural as pessoas falarem de forma respeitosa de seus parentes depois que morrem, mas meu velho não se encaixa nessas generalidades.

Foi uma pessoa ímpar, deixando com sua bondade uma marca indelével em todos que o conheceram, principalmente nos filhos, noras e netos.

Para contar a história de meu pai seriam necessárias inúmeras páginas, que um dia ainda pretendo escrevê-las.

Sua extrema honestidade e retidão de caráter impediram que tivesse sucesso nos negócios. Seus conceitos de vida não admitiam desvios e beiravam a total ingenuidade, incompatível com uma sociedade selvagem e um país que caminhava em busca do desenvolvimento e modernização.

Casou-se apaixonado por minha mãe aos dezoito anos e jamais olhou com olhos de malícia para qualquer outra mulher. Viveu e morreu apaixonado.

Não me recordo de ter presenciado ou ouvido uma troca de palavras mais ácidas entre os dois. Foi um raro caso de entendimento, convivência harmoniosa e respeito.

As decisões e ordem na casa sempre ficaram por conta de minha mãe. Papai jamais deu uma palmada em qualquer dos filhos, limitando-se e repreendê-los suavemente, mesmo por ocasião das piores “artes”. Os puxões de orelhas e tabefes ficavam por conta de mamãe.

Outra comportamento que lembro com respeito, é o fato de papai jamais ter reclamado da comida preparada por minha mãe. Mesmo em algumas ocasiões em que o “rango” deixava a desejar, de meu pai eram só exaltação a seus dotes culinários.

Mais velho e com os filhos já casados era adorado pelas noras, pois de sua boca jamais ouviram palavras de reprovação, apenas elogios.

Por uma triste ironia do destino, antes de sua passagem, ficou acamado por longos anos, que a todos parecia uma tremenda injustiça divina.

Mas não foi bem assim.

Se aqui na terra sua permanência não foi muito notada, a não ser pelos que lhe eram próximos, no céu a coisa foi bem diferente.

Enquanto estava adoentado, Deus preparava seu lugar especial no paraíso.

“Mas que correria e essa, comentavam os anjos e querubins com uma pontada de inveja? São as obras ordenadas pelo Pai para receber Tônico com toda pompa e circunstância, esclareciam os santos, também já meio incomodados.”

Sua chegada foi um acontecimento triunfal. Recepcionado por São Pedro ao som das trombetas dos arcanjos, foi conduzido à uma cadeira especial, ao lado direito do Criador.

Tenho certeza, que lá de cima, com sua influência junto a cúpula celestial, está zelando por todos nós, filhos e parentes, aguardando-nos de braços abertos.

Eu, que de todos sou fisicamente o mais parecido com o velho(o vejo, todas as vezes que me olho no espelho, principalmente quando faço a barba), estou certo,  que mesmo apesar de meus incontáveis deslizes, estou garantido. Com tão grande “pistolão” meu lugarzinho já está reservado.

 

José Roberto- 10/08/07

 

Um comentário:

  1. O texto sobre seu pai, me levou a refletir e relembrar também do excelente pai que tive por 74 anos. Convivi pouco tempo diretamente com ele, pois aos 19 anos sai de casa para trabalhar, no meu primeiro emprego em Campinas. Mas os ensinamentos dele já estavam inseridos na minha personalidade. Foi um perfeito pai! Parabéns pelo oportuno, emocionante e ótimo texto!

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