ESCREVI
ESSE TEXTO ORIGINALMENTE EM 2007, VINTE ANOS APÓS A MORTE DE MEU QUERIDO E
MARAVILHOSO PAI. JÁ REPLIQUEI O TEXTO E REPLICO NOVAMENTE POR SER UM DOS QUE
MAIS GOSTO, PARA HOMENAGEAR NOVAMENTE MEU VELHO PAI E A TODOS OS DEMAIS, QUE
SOUBERAM HONRAR A DIVINA GRAÇA DA PATERNIDADE.
José
Roberto- 07/08/26
TÔNICO,
MEU PAI
Já
se vão mais de vinte anos desde que meu pai se foi.
A
cada dia que passa e a medida que envelheço, aumenta a saudade de sua presença
simples e marcante.
Meu
pai foi um homem bom. Bom no verdadeiro e pleno significado da palavra.
É
uma tendência natural as pessoas falarem de forma respeitosa de seus parentes
depois que morrem, mas meu velho não se encaixa nessas generalidades.
Foi
uma pessoa ímpar, deixando com sua bondade uma marca indelével em todos que o
conheceram, principalmente nos filhos, noras e netos.
Para
contar a história de meu pai seriam necessárias inúmeras páginas, que um dia
ainda pretendo escrevê-las.
Sua
extrema honestidade e retidão de caráter impediram que tivesse sucesso nos
negócios. Seus conceitos de vida não admitiam desvios e beiravam a total
ingenuidade, incompatível com uma sociedade selvagem e um país que caminhava em
busca do desenvolvimento e modernização.
Casou-se
apaixonado por minha mãe aos dezoito anos e jamais olhou com olhos de malícia
para qualquer outra mulher. Viveu e morreu apaixonado.
Não
me recordo de ter presenciado ou ouvido uma troca de palavras mais ácidas entre
os dois. Foi um raro caso de entendimento, convivência harmoniosa e respeito.
As
decisões e ordem na casa sempre ficaram por conta de minha mãe. Papai jamais
deu uma palmada em qualquer dos filhos, limitando-se e repreendê-los suavemente,
mesmo por ocasião das piores “artes”. Os puxões de orelhas e tabefes ficavam
por conta de mamãe.
Outra
comportamento que lembro com respeito, é o fato de papai jamais ter reclamado
da comida preparada por minha mãe. Mesmo em algumas ocasiões em que o “rango”
deixava a desejar, de meu pai eram só exaltação a seus dotes culinários.
Mais
velho e com os filhos já casados era adorado pelas noras, pois de sua boca
jamais ouviram palavras de reprovação, apenas elogios.
Por
uma triste ironia do destino, antes de sua passagem, ficou acamado por longos
anos, que a todos parecia uma tremenda injustiça divina.
Mas
não foi bem assim.
Se
aqui na terra sua permanência não foi muito notada, a não ser pelos que lhe
eram próximos, no céu a coisa foi bem diferente.
Enquanto
estava adoentado, Deus preparava seu lugar especial no paraíso.
“Mas
que correria e essa, comentavam os anjos e querubins com uma pontada de inveja?
São as obras ordenadas pelo Pai para receber Tônico com toda pompa e
circunstância, esclareciam os santos, também já meio incomodados.”
Sua
chegada foi um acontecimento triunfal. Recepcionado por São Pedro ao som das
trombetas dos arcanjos, foi conduzido à uma cadeira especial, ao lado direito
do Criador.
Tenho
certeza, que lá de cima, com sua influência junto a cúpula celestial, está
zelando por todos nós, filhos e parentes, aguardando-nos de braços abertos.
Eu,
que de todos sou fisicamente o mais parecido com o velho(o vejo, todas as vezes
que me olho no espelho, principalmente quando faço a barba), estou certo, que mesmo apesar de meus incontáveis
deslizes, estou garantido. Com tão grande “pistolão” meu lugarzinho já está
reservado.
José
Roberto- 10/08/07