MEU AMIGO PANAIA- PARTE IV
O último texto que escrevi sobre meus atribulados tempos
de adolescente, em companhia de meu inseparável amigo Panaia, foi em julho
passado.
Volto ao assunto para dar um refresco a meus amigos
leitores e a eu próprio, deixando a chatice política de lado, pois relembrar
nossos aprontos e aventuras dos saudosos tempos em que deixávamos de ser
meninos, entrando na adolescência, com os hormônios explodindo e muita energia
para exercitá-los, alegra minha alma nesse período difícil que atravessamos.
Panaia, apesar de ser capeta, sempre aprontando com os
amigos e conhecidos, era bastante tímido com relação as mulheres, e numa época
que a visão de um joelho e umas coxas nos deixavam ardentes, aproveitava para
exagerar meus relacionamentos com as meninas, pois era mais ousado.
Descrevia meus amassos em detalhes, aumentando os fatos
ao extremo, descrevendo com pormenores toques nos seios, beijos ardentes e até
mentirosas passadas de mão no fruto proibido.
Panaia escutava com atenção, me interrompendo as vezes
solicitando detalhes, que eu inventava com prazer, deixando-o ainda mais
ouriçado.
Descobria depois, espionando sua mini agenda onde anotava
os pecados para serem ditos em confissão, inúmeras cruzes, parecendo até
rabiscos de um cemitério. As cruzes significavam o número de vezes em que “depenava
o sabia”, que deveriam ser confessadas ao padre, que curioso, perguntava sempre
se cometíamos os pecados sozinhos ou acompanhados.
Era uma chatice, mas como estudávamos em Colégio
Salesiano, éramos praticamente obrigados a nos confessar semanalmente, caso
contrário poderíamos ficar mal vistos com o padre inspetor, que vigiava e era o
responsável por manter a disciplina, um padre muito temido.
Em nossa casa, tínhamos um empregada bem ajeitada e um
tanto assanhada, chamada Lourdes. Nas ocasiões que ficávamos sós, quando nossa
mãe ia visitar parentes ou fazer compras na cidade(Piracicaba), sabendo que só
voltaria a tardinha, aproveitávamos para sacanear a Lourdes, eu e Tai, irmão
mais novo, tentando levantar sua saia, passando as mãos em locais proibidos,
mesmo refugados e afastados. Terminávamos desfilando sem nossas “calças curtas”,
com os membro eretos a mostra. Panaia, devidamente vestido somente olhava, com a
cobiça estampada no rosto. Mais cruzes na mini agenda.
Havia uma menina da nossa idade, chamada Maria Luiza, que
era uma de minhas fãs incondicionais, pegando no meu pé, mas dando chance para
que eu tirasse um bom sarro. Outra que também ficava na minha cola era a Beth,
bonitinhas, mas minha paixão secreta era outra, Marilda, a volúvel, sabida,
irmão mais nova do Betinho Bochetti, outro amigo que compunha nosso trio.
Panaia era minha sombra, e várias vezes em que estava
dando uns pegas na Maria Luiza ele estava próximo, assistindo com inveja meu
desempenho. Com consentimento da menina, autorizava que também desse um aperto
em seus tenros peitinhos, mas tímido, nunca chegou as vias de fato. Outras
cruzinhas mais.
Como já escrevi anteriormente, vou narrando os fatos e
contando nossas histórias, sem ordem cronológica, a medida que vou lembrando,
pois já faz tanto tempo e minha memória as vezes dá uma rateada.
A Usina Monte Alegre onde morávamos, ficava a uns 10 km
de Piracicaba e já adultos, lembro que um dos sonhos impossíveis do Panaia, era
fila interminável de mulheres com os peitos de fora, no trecho entre a cidade e
a usina, que seria percorrido por ele, lambendo com gosto todas as tetas dessas
mulheres, numa épica maratona chupadora. De tempos em tempos repetia esse desejo
irrealizável.
Já maduro, cursando agronomia, Panaia melhorou com
relação a timidez, porem sempre foi chegado a putada, onde obviamente sem muita
conversa, gastando uma graninha, conseguia chupar peitos e se entreter com a “perseguida”.
Apesar de ter tido uma paixão secreta por uma vizinha próxima,
chamada Maria Izabel, que namorou a traição, sem que ele soubesse, pelo que
recordo, além de seu relacionamento com as putas, a única namorada que teve foi
a Terezinha, com quem se casou, teve um casal de filhos e anos depois se
desquitou.
Mas essa é outra história interessante e engraçada, que
narrarei em outra ocasião que me der vontade. Tudo relacionado ao Panaia,
sempre teve um lado cômico.
A saudade do amigo que ocupa um cantinho especial do meu
coração não esmorece.
Pode esperar sentado na porta do céu, pois ainda vai
demorar para eu lhe fazer companhia.
José Roberto-03/04/25